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Terapia Ocupacional e TEA

Texto Terapia Ocupacional e o TEA, gentilmente escrito por Ilana Fagá Merlos* para nosso blog

Sinto-me muito honrada por ter sido convidada a falar sobre esse assunto que tem sido a paixão da minha vida. Falar sobre a terapia ocupacional, difundir informações sobre essa profissão que é tão pouco conhecida, é muito gratificante. 

A terapia ocupacional visa, explicando de maneira sintetizada, uma melhora na qualidade de vida e aumento da autonomia do indivíduo, utilizando, para isso, as atividades e adaptações de materiais e ambientes como principais ferramentas. A formação do terapeuta ocupacional é muito voltada para que ele consiga enxergar o indivíduo como um todo, englobando, assim, suas limitações, o contexto familiar, o contexto escolar, os ambientes que ele frequenta e os papéis ocupacionais que exerce. Podemos trabalhar com diversos públicos, como deficientes físicos, auditivos, portadores de deficiência intelectual, população em situação de rua, dentre vários outros.

A terapia ocupacional no cuidado do indivíduo com Transtorno do Espectro Autista (TEA), portanto, visa minimizar as perdas ocupacionais, estimular capacidades que apresentem déficits (sejam elas cognitivas, sociais ou físicas) através das atividades, adaptações de materiais e orientação aos pais, e auxiliar na realização de atividades de vida diária e prática (as AVDs e AVPs), como escovar os dentes, alimentar-se, ir ao banheiro, tomar banho e amarrar o cadarço do tênis.  Eu atuo utilizando terapia baseada em ABA (Análise do Comportamento Aplicada) no atendimento à crianças com TEA. Posso dizer que é uma experiência maravilhosa poder fazer parte da construção da história desses seres de tanta luz! 

Vivo num eterno desafio, porque as crianças com as quais trabalho são únicas, assim como qualquer ser humano, e precisam ser tratadas como tais! Elas apresentam sintomas variadíssimos, nenhuma delas apresenta sintomas iguais, nem mesmo duas crianças de uma mesma família. Cada criança precisa ser vista e assistida de forma única e essa forma precisa ser pensada com muito carinho, empatia e objetividade.

Posso também dizer dos presentes que essa profissão me oferece diariamente. Não tem como eu não ser grata e não me emocionar ao presenciar os diversos ganhos que a criança tem no seu desenvolvimento, desde o “simples” olhar nos olhos, o segurar nas mãos, o pronunciar meu nome até o de andar de bicicleta, tomar banho sozinha, controlar seus picos de emoções e brincar com os colegas na hora do intervalo da aula. É como se estivéssemos construindo uma casa ou, melhor, um belo castelo com essas crianças, sendo cada tijolinho colocado diariamente, com muito zelo, muito carinho, muita paciência e acreditando demais na potencialidade delas. 

Acho fantástico o nome “O Grande Desafio das Pequenas Coisas”, porque é exatamente isso: é muito grande o desafio, principalmente nas “pequenas” coisas, mas podemos muito bem transformá-lo em cores, em imagens alegres, em poemas, assim como o Lucas faz de maneira tão genial!

*Ilana Fagá Merlos

Terapeuta ocupacional, formada pela UFSCar em 2013 e pós graduanda em Análise do Comportamento Aplicada.

ilanafaga@hotmail.com (16) 98811-2236

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