• Desafios da Criação

Processamento Sensorial

TRANSTORNO DO PROCESSAMENTO SENSORIAL

Essa semana, um pai que acaba de ter seu filho diagnosticado dentro do espectro autista entrou em contato comigo querendo saber mais sobre esse universo. Nossas dificuldades ainda são muitas mas lembro-me quando soubemos do diagnóstico da Marina. Muitas coisas foram explicadas e várias outras dúvidas surgiram.

Muitos pais têm vindo nos procurar para saber sobre nossas vivências e trocar experiências, o que é muito legal. Apesar de cada um do espectro autista ter peculiaridades únicas, alguns sinais são muito característicos, mas para algumas pessoas, passam como mais uma situação estranha, não ligada ao possível desfecho de autismo. 

Dentre esses sinais, está o Transtorno do Processamento Sensorial, que é a dificuldade em processar estímulos sensoriais (visuais, auditivos, táteis, gustativos, relacionados ao equilíbrio e à localização espacial (do corpo, orientação, posição) e em adaptar comportamentos.

Vou falar como pai (não sou nenhum especialista, mas em 8 anos já passamos por muitas observações que podem auxiliar outras pessoas) e sobre as situações que a Marina nos apresenta (e/ou apresentava) relacionadas a isso.

Desde muito pequena, ela tem uma sensibilidade muito forte a tudo que pode grudar na pele dela. Não pega em massinha, não encosta em fitas (durex, crepe…), não gosta de sujar a mão nem com a comida. 

ATUALMENTE, ESTAMOS COM DIFICULDADES DE TROCAR OS CALÇADOS DELA.

Está bem incomodada com os solados que apresentam relevo (e não temos encontrado solados lisos/retos; sem firulas). Ao nosso modo de interpretar, ela se sente mal quando pisa no chão e o solado não adere totalmente ao piso. Que o tênis dela aguente alguns meses e que aqueles que ainda não conseguem sair da gaveta aguardem antes que a numeração do pé aumente!

Esse treino para a melhora tátil, hoje, vem sendo feito pelas sessões de terapia ocupacional e equoterapia, mas já fizemos por muito tempo também, sessões de fisioterapia com foco em integração sensorial.

A evolução tem sido lenta, mas tem acontecido gradativamente (apesar de algumas dificuldades sumirem e depois voltarem, como essa sensibilidade aos solados). 

Ela demorou muito a conseguir brincar num tanque de areia ou mesmo pisar descalça na grama. Hoje, adora explorar esse universo.

A sensibilidade gustativa, que é bem impactante para muitos enquadrados no espectro autista, afinal, a seletividade alimentar mexe muito com a nutrição, foi mais sutil com a Marina. Quando pequena, ela não gostava de alimentos gelados, mas as consistências nunca a  incomodaram. Acho que o primeiro sorvete que ela realmente quis tomar, ela já tinha uns 5 anos. Hoje, é a primeira a querer ir a uma sorveteria.

A melhora dessa sensibilidade teve auxílio importantíssimo da fonoaudióloga que a acompanhava, mas acredito que a maturidade foi um desfecho também muito relevante para se alimentar com tranquilidade e de forma confortável.

A coordenação motora da Marina, assim como a fala e a visão, são pontos bem comprometidos, com isso, tivemos muitas dificuldades em adaptá-la a lugares com muito ruído, como shoppings, festinhas, cinema, etc.

HOJE, COM 8 ANOS, PERCEBEMOS QUE ELA SE INCOMODA, PORÉM, CONSEGUE LIDAR DE FORMA MAIS ORGÂNICA COM O BARULHO.

A propriocepção foi a vertente escolhida por nós (Lá e eu) para focarmos nesse ano de 2020. A consciência corporal dela está bem aquém da idade, assim como movimentos de coordenação motora grossa e fina. Para isso, além da terapia ocupacional, começamos aulas circenses e estamos com os planos de colocá-la em aulas de capoeira, apesar dela ter pedido sapateado (:(

Bom, espero ter passado um pouquinho das nossas vivências com a Marina, mas o mais importante, além das terapias necessárias e de profissionais competentes para nos auxiliar em todas as particularidades do espectro autista, é acreditarmos que tudo é possível, que com o treino e com a maturidade, as conquistas vão aparecendo e as dificuldades vão ficando pra trás.

E que, como eu, enquanto escrevia, precisei até ficar revisitando fotos para lembrar de coisas que hoje a Marina tira de letra (mas que um dia foi algo que parecia impossível de ocorrer)! Nada é impossível, só basta acreditar!

7 visualizações

©2020 por Desafios da Criação.