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O que difere o cérebro da abelha do nosso?

Grande parte do comportamento animal é automatizado. Um estímulo leva à mesma reação, todas as vezes. 


Os neurônios das abelhas são fixos e transmitem sinais de entrada e saída, determinando as rotas dos neurônios. Mesmo quando estão explorando novos territórios, as abelhas funcionam basicamente em piloto automático. Não é possível debater com uma abelha: ela é uma máquina biológica, com o pensamento predeterminado por milhões de anos de evolução.


E qual é a diferença entre o cérebro de uma abelha e o nosso? Enquanto o cérebro de uma abelha tem um milhão de neurônios, o de um ser humano tem cem bilhões, o que nos dá um vasto repertório de comportamentos. E também somos privilegiados por outro motivo, além da quantidade de neurônios, por sua organização. Especificamente, temos mais células cerebrais entre a sensação (O que está acontecendo?) e a ação (É isto que vou fazer). Isso nos permite entender uma situação, refletir sobre ela, imaginar alternativas e (se necessário) agir. 


A maior parte da nossa vida transcorre nas regiões neurais entre sentir e fazer. Isso é o que nos permite passar da reflexão para a invenção.


A enorme expansão do córtex cerebral humano liberou amplas faixas de neurônios dos sinais químicos primitivos — permitindo que essas áreas formassem conexões mais flexíveis. Ter tantos neurônios “desocupados” dá aos humanos uma agilidade mental que outras espécies não têm. Isso nos torna capazes de comportamentos mediados.


Os comportamentos mediados (ao contrário dos automatizados) exigem pensamento e previsão: compreender um poema, ter uma conversa difícil com um amigo, elaborar uma nova solução para um problema. Esse tipo de pensamento envolve a busca de novos caminhos para ideias inovadoras. Em vez de uma resposta direta à pressão de um botão, a comunicação entre neurônios parece um debate parlamentar.


Todos participam da discussão. Coligações se formam. Quando há um consenso firme, uma ideia pode chegar à consciência, mas o que talvez pareça uma compreensão repentina, na verdade, é resultado de um amplo debate interno. E o mais importante: da próxima vez que nos fizermos a mesma pergunta, a resposta pode ser diferente. 


Ninguém espera que as abelhas encantem sua rainha com histórias durante mil e uma noites. Pelo contrário, seria sempre a mesma noite, porque o cérebro delas segue o mesmo caminho todas as vezes. Graças a nossa arquitetura neural improvisadora, podemos entrelaçar histórias e remodelar tudo a nossa volta.


Os seres humanos vivem em meio a uma competição entre os comportamentos automatizados, que refletem hábitos, e os comportamentos mediados, que rompem com os hábitos. 


Será que o cérebro deveria projetar uma rede neural direta em favor da eficiência ou ramificá-la em favor da flexibilidade? Precisamos das duas coisas. Os comportamentos automatizados nos dão competências, mas não são capazes de inovar. É o comportamento mediado que gera novidades. Ele é a base neurológica da CRIATIVIDADE. 


Trecho adaptado do capítulo I do Livro "Como o cérebro cria: o poder da criatividade humana para transformar o mundo". David Eagleman e Anthony Brandt.


Este livro que deu origem ao documentário da Netflix, "Como o Cérebro Cria" (The Creative Brain, documentário, 52 minutos, Netflix, 2018).


Segue o trailer do documentário abaixo. 

https://www.youtube.com/watch?v=5gSmcL1CJMQ


E se quiser aproveitar o início desta semana pra mudar sua visão sobre criatividade, já clica aqui pra assistir ;)





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