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O abraço!

Atualizado: Jul 13



O abraço é uma conexão! Um abraço carinhoso promove vínculo, afeto, cura (de medos e angústias). A partir do abraço, podemos expressar nossos sentimentos, nosso carinho, nosso cuidado.


Para a maioria dos autistas, o abraço pode ser algo mais complexo. Envolve muitas experiências sensoriais que precisam ser comprendidas para que a ação ocorra. Às vezes pode demorar para que isso aconteça, mas acontece!


Como ouvimos de Marcos Petry, do canal Diário de um Autista, abraçar sem anunciar, mesmo que seja apenas um cumprimento, pode ser um susto. Com isso, algumas perguntas surgem.


Quanto tempo dura um abraço? Qual a intensidade deste contato? Quando devo soltar? Vão me soltar em algum momento? Quando devo começar?


São reflexões que só tivemos após vermos o vídeo do Petry explicando o que ele sentia e nos ajudou a perceber de uma forma melhor o comportamento da Marina em relação ao abraço.


Entender o que a incomoda nos ajuda a lidar e procurar formas de ensinar. Entendendo, criamos novas possibilidades! Iniciamos como ele sugeriu:


Disse para a Marina que iria ensiná-la a abraçar em três estágios:

1 - Anunciar o abraço.

2 - Abraçar (encaixar os braços).

3 - Dar três tapinhas nas costas para dizer que acabou.


O abraço foi explicado e percebemos que ela se sentiu mais confortável desta forma. Sabe quando começa e quando termina. Se tornou algo objetivo.


Mas é claro, se não quer abraçar naquele momento, naturalmente, respeitamos. Afinal, a ação "abraço" é só o início de algo bem maior que se pretende com ele. É um código dual entre a experiência sentida e o afeto ligado a essa experiência. É um passo para aumentar a conexão afetiva, tão importante para o desenvolvimento.


"Nos entregamos" para alguém, principalmente quando sentimos que esta pessoa está preparada para a nossa entrega. Sendo assim, nos preparamos, todos os dias para que possamos acolher cada vez melhor as necessidades de cada momento.


Não é sempre que estamos preparados para um abraço. Não é com qualquer pessoa. E precisamos ter consciência de tudo isso.


Quais foram as vezes que você abraçou de verdade? Lembra-se da sensação? Com quem foi? Abraçar é permitir uma intimidade, ao mesmo tempo que nos sentimos preparados para que o outro também nos acolha. Precisamos ter a segurança de saber se "a piscina dá pé para nós". Você me acolhe? Eu posso te acolher?


Hoje, em meio à pandemia, me esquenta o peito quando vejo minha esposa chegar do serviço e Marina pedir espontaneamente: "Quero um abraço!" <3.


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