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Adaptar não é facilitar. É tornar possível!

Atualizado: Fev 14

A adaptação acontece quando aumentamos as possibilidades para que algo seja alcançado, porém, nem sempre esse caminho é mais fácil, como se parece.

Um exemplo desse processo de adaptação que aconteceu com a gente, dentre muitos, foi a construção de uma brincadeira para aumentar as possiblidades e a curiosidade da Marina durante o período de alfabetização.


Ela se interessava muito pelas letras e sempre observávamos seu olhar aguçado, uma certa "visão de águia" que localizava tudo com muita rapidez e memorizava imagens com muita facilidade. Um exemplo concreto disso é quando jogávamos Lince, um jogo de tabuleiro que leva o ponto quem acha a figura primeiro. Não tinha pra ninguém, ela sempre achava de forma muito rápida!


Nas leituras de histórias e outras interações com palavras escritas também não era diferente, notávamos que ela memorizava palavras, porém como sendo uma figura, uma foto. Ela observava o "visual" da palavra, mesmo sem ainda compreender como eram formadas, o que significavam as sílabas e os sons produzidos pelas consoantes e vogais separadamente.


Ao observarmos isso, começamos a imprimir várias palavras do cotidiano dela para brincarmos e ainda tornarmos possível outras habilidades. Era uma brincadeira de forma espontânea que estimulou muito o raciocínio, aumentou o vocabulário e a interpretação, além da alfabetização.


Colocávamos as palavras em cima da mesa e íamos fazendo perguntas com o intuito de ver se ela iria encontrar a palavra em questão em meio às outras. Como uma charada. Por exemplo:


Se a ideia era ela procurar a palavra “colher”, dizíamos:


“Um tipo de talher” ou “algo que usamos na refeição” ou ainda “usamos quando vamos tomar sopa”.


Para palavra “felicidade”:


“Um tipo de sentimento” ou “O que você sente quando realiza algo que gosta muito?”


Foi sua brincadeira preferida durante muito tempo. Levava uma caixinha com essas palavras para todo lugar que ia. O legal é que quando estávamos com outras pessoas, cada um tinha uma maneira, uma forma, uma expressão diferente de se referir a determinada palavra e isso fazia com que ela aumentasse seu repertório, percepção e raciocínio.


Essa brincadeira também fazia com que ela conseguisse mostrar sua habilidade de compreensão e rapidez, o que a deixava muito feliz e com a auto estima alta.


Constantemente tínhamos que imprimir novas palavras a medida que as atuais iam saturando (e muitas vezes rasgando pelo uso constante). A forma de brincar também ia sendo reinventada. Às vezes fazíamos perguntas para que ela pegasse mais de uma palavra e tinha que perceber que esse era o intuito.


As palavras variavam entre verbos, nomes de cidades ou lugares, adjetivos, substantivos, nomes pessoais ou nomes de desenhos e filmes que ela acompanhava. Um repertório bem longo e que depois de um tempo também se estendeu para temas que complementavam o que foi aprendido na escola, até mesmo com palavras em inglês brincávamos (outro ganho dentro desta brincadeira)….


Foi uma forma de comunicação que encontramos para introduzir vários assuntos e aumentar sua curiosidade pela leitura, que não tardou a acontecer (da forma convencional).


Hoje ela lê e escreve. Uma leitora ávida (dos livros dela e também dos nossos). Quando não entendemos o que ela diz, muitas vezes pedimos para ela escrever e isso nos enche de orgulho. E percebemos esse orgulho nela também!



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